terça-feira, 7 de dezembro de 2010

MÚSICA A GRANEL


IPod, iTune, iPad, Youtube, MP3, MP4 ou tudo isso ao mesmo tempo, no computador, no notebook, no celular, na geladeira e até no vibrador, que mexe de acordo com o ritmo da música... e vários gigabytes para serem preenchidos com centenas de arquivos de áudio e vídeo. Não há como negar a importância da descoberta do formato MP3, um tipo de compactação que, ao eliminar sons que teoricamente passariam despercebidos pelo ouvido humano, consegue reduzir drasticamente o tamanho de arquivos de música para meros 4 megabytes, em média. Maravilha! Usando a sua banda larga (eu falei banda!), em 1 minuto você consegue mandar uma ou mais músicas por e-mail para a galera.... Ou então, nos sites de compartilhamento, blogs, torrents ou e-mules da vida, encontra-se de tudo um pouco. E não apenas a música ou CD do seu cantor preferido. Agora, você pode baixar, de uma só vez, a discografia completa! Mas, certamente, não é isso que ameaça os cantores e compositores. O fenômeno mais preocupante dessa revolução cibernética é que as pessoas passaram a consumir música a granel, muitas vezes sem sequer desconfiarem do nome do álbum, do cantor, compositor ou instrumentistas! (é um tal de me dá 100 g de axé, mais 250 g de pagode, mais meio quilo de rock and roll... e não precisa embrulhar!!!) E num simples toque, podem excluir instantaneamente toda a coleção, caso tenham enjoado ou estejam em busca de novidades. Baixadas na net, é claro. Como compositor e produtor musical, já com alguma bagagem e alguns CDs lançados, tenho observado as consequências nefastas dessa nova "cultura": primeiro foram os cinemas de bairro, que não resistiram à concorrência desleal e fecharam. Agora, as lojas de disco, que, uma a uma, estão cerrando as suas portas. Por quê? Ninguém mais compra CD! O MP3 dá conta do recado e é de grátis! Os técnicos de estúdio e músicos vão à loucura ao saberem que toda aquela busca insana pela qualidade sonora vai desaguar num mísero tocador de MP3, naquele arquivinho de ridículos 4 megas! Salvo engano, estamos a caminho de um tempo de cantores e compositores sem nome, sem cara, navegando à deriva no mar cibernético. Artistas que podem, a qualquer momento, ser defenestrados, sem dó nem piedade, daquele aparelhinho comprado no camelô. Bons tempos dos LPs, que a maioria dos nossos adolescentes nunca viu girando... Os bolachões eram um espetáculo à parte: ficha técnica completa, nome dos músicos, encartes, fotos da equipe e do artista (às vezes posters), verdadeiras obras de arte. E ninguém copiava!

P.S.: Uma semana depois de ter escrito esse texto, recebo a notícia bombástica sobre o fechamento da Modern Sound, legendária loja de discos do Rio de Janeiro. E os termômetros marcaram 4 graus na serra catarinense, em pleno dezembro... É o final dos tempos!

quarta-feira, 1 de dezembro de 2010

JUNTANDO GENTE

Reproduzo abaixo texto de autoria da Ana Lucia Fernandez, publicado em seu blog Humano em Desenvolvimento,  em que ela faz um relato, poético e inspirado, da minha palestra proferida no Instituto IZEN, acerca do tema ESPIRITUALIDADE NAS ORGANIZAÇÕES:

"Em uma sala perfumada e bem arejada por uma brisa suave, ao cair da noite de uma sexta-feira atribulada ou não, misture: farmacêuticos, psicólogos, artistas, donas de casa, estudantes de medicina, de economia e de psicologia, administradores, diretores de escola, funcionários públicos, mestres em literatura, professores universitários e aposentados vivendo a vida.
Acrescente a isto um palestrante bem humorado e seguro para falar sobre espiritualidade nas organizações. Deixe que relaxem por alguns minutos, enquanto se apresentam mutuamente e ajustam a sintonia.
Aqueça os corações presentes em banhos Marias, Luizas, Joãos, Veras, Rodrigos, Caios, Danieles, Gabrielas entre muitos outros.
Não peneire nada, deixe tudo no seu estado mais puro de atenção e intuição e observe.
Você terá um grande e único momento: Um momento de inteiração verdadeira entre um grupo tão heterogêneo na formação, mas de uma homogeneidade comovente no sentido da busca pelo crescimento como indivíduo.
Assim foi a palestra seguida de bate-papo no Instituto ZEN na última sexta-feira.
Rodrigo Piva, o palestrante, falou durante quase duas horas sobre a espiritualidade nas organizações.
Tema do seu trabalho de conclusão da especialização em Psicologia Transpessoal, Rodrigo, que é funcionário do TRE, contou-nos sua experiência com o assunto na organização pública, mas no que diz respeito ao mais valioso fator das organizações, o ser humano, a experiência pode ser perfeitamente contextualizada também nas organizações privadas.
Rodrigo contou-nos sobre a necessidade da organização contemporânea de exercitar uma mudança de olhar das técnicas puras e simples para um olhar que passe a ver o colaborador como o ser humano que é. Inclusive, no que diz respeito totalidade e complexidade de fatores que o formam.
Já não há mais tempo, e, na verdade, estamos muito atrasados, para organizações que não pratiquem mudanças pelo simples fato de não terem tempo para reflexão sobre a necessidade das mudanças neste sentido.
Algo como dizer: Não porque não! Sem que se reflita o motivo do não.
Como na estória dos cinco macacos contada por ele – Cinco macacos foram colocados numa jaula com um cacho de bananas. Assim que o primeiro macaco colocou sua mão em uma banana, os outros quatro foram atingidos por um jato forte de água fria. E assim foi…Cada vez que um tentava pegar uma banana, os outros levavam um banho de água fria, até que ninguém mais se atreveu a tentar, ou quem tentasse, apanhava dos outros macacos.
Num certo dia, um dos macacos foi substituído e o novo macaco, ao entrar na jaula foi imediatamente pegar uma banana. Os outros bateram nele sem que ele entendesse por que.
No dia seguinte outro macaco foi substituído. Obviamente, o novo entrou na jaula e foi pegar a banana. Apanhou também sem entender.
E assim foi, até que todos os macacos foram substituídos. Sem que mais nenhum tivesse levado o jato de água fria.
Neste dia, um sexto macaco foi colocado na jaula. E lá foi ele tentar pegar a banana. Apanhou, é claro. Mesmo os macacos que não tinham sofrido o banho sabiam que deveriam, por algum motivo desconhecido, bater em quem tentasse.
Ou seja, eles não sabiam por que, mas o hábito estava completamente arraigado ao seu comportamento.
E assim caminha a humanidade… Mais ou menos sem refletir sobre os porquês, mas reafirmando comportamentos organizacionais adquiridos muito anteriormente.
Como não ficar muitas vezes insatisfeito então, no nosso cotidiano profissional?
Rodrigo também apontou algumas formas saudáveis de abastecer a mudança e incentivar a satisfação dentro das organizações.
Bom seria:
  • Procurar eficiência em desobstruir a comunicação;
  • utilizar liderança circular e decisão por consenso;
  • utilizar práticas de mediação na resolução de conflitos;
  • estimular a criatividade e;
  • diminuir a utilização de práticas desmotivadoras tais como: regras, normas e regulamentos que não mais se sustentam ou funções estáticas e inflexíveis que não estimulem nenhuma autonomia.
Para fechar ensinou-nos uma fórmula para medir-se a felicidade dos gestores que estão há muito tempo no mesmo cargo de chefia nas organizações públicas: Abra a gaveta das gravatas que ele utiliza para compor os trajes necessários ao seu dia-a-dia profissional. Retire as gravatas, estique-as de maneira a formar uma linha reta. O tamanho desta linha será diretamente proporcional ao tamanho do caminho que lhe falta para ser feliz.
Quem estava por lá concordou manifestando-se em gostosas gargalhadas. Se há controvérsias, seus portadores não compareceram desta vez.
Após esta receita foi servido uma deliciosa sobremesa de “quero mais” acompanhada de um encorpado licor de “quando é a próxima?”
A noite já havia caído, a brisa lá fora continuava convidativa. As pessoas, entre risos e comentários positivos foram deixando o local. Mas do forno ainda saía um gostoso aroma da mistura que havia dado tão certo."