IPod, iTune, iPad, Youtube, MP3, MP4 ou tudo isso ao mesmo tempo, no computador, no notebook, no celular, na geladeira e até no vibrador, que mexe de acordo com o ritmo da música... e vários gigabytes para serem preenchidos com centenas de arquivos de áudio e vídeo. Não há como negar a importância da descoberta do formato MP3, um tipo de compactação que, ao eliminar sons que teoricamente passariam despercebidos pelo ouvido humano, consegue reduzir drasticamente o tamanho de arquivos de música para meros 4 megabytes, em média. Maravilha! Usando a sua banda larga (eu falei banda!), em 1 minuto você consegue mandar uma ou mais músicas por e-mail para a galera.... Ou então, nos sites de compartilhamento, blogs, torrents ou e-mules da vida, encontra-se de tudo um pouco. E não apenas a música ou CD do seu cantor preferido. Agora, você pode baixar, de uma só vez, a discografia completa! Mas, certamente, não é isso que ameaça os cantores e compositores. O fenômeno mais preocupante dessa revolução cibernética é que as pessoas passaram a consumir música a granel, muitas vezes sem sequer desconfiarem do nome do álbum, do cantor, compositor ou instrumentistas! (é um tal de me dá 100 g de axé, mais 250 g de pagode, mais meio quilo de rock and roll... e não precisa embrulhar!!!) E num simples toque, podem excluir instantaneamente toda a coleção, caso tenham enjoado ou estejam em busca de novidades. Baixadas na net, é claro. Como compositor e produtor musical, já com alguma bagagem e alguns CDs lançados, tenho observado as consequências nefastas dessa nova "cultura": primeiro foram os cinemas de bairro, que não resistiram à concorrência desleal e fecharam. Agora, as lojas de disco, que, uma a uma, estão cerrando as suas portas. Por quê? Ninguém mais compra CD! O MP3 dá conta do recado e é de grátis! Os técnicos de estúdio e músicos vão à loucura ao saberem que toda aquela busca insana pela qualidade sonora vai desaguar num mísero tocador de MP3, naquele arquivinho de ridículos 4 megas! Salvo engano, estamos a caminho de um tempo de cantores e compositores sem nome, sem cara, navegando à deriva no mar cibernético. Artistas que podem, a qualquer momento, ser defenestrados, sem dó nem piedade, daquele aparelhinho comprado no camelô. Bons tempos dos LPs, que a maioria dos nossos adolescentes nunca viu girando... Os bolachões eram um espetáculo à parte: ficha técnica completa, nome dos músicos, encartes, fotos da equipe e do artista (às vezes posters), verdadeiras obras de arte. E ninguém copiava!
P.S.: Uma semana depois de ter escrito esse texto, recebo a notícia bombástica sobre o fechamento da Modern Sound, legendária loja de discos do Rio de Janeiro. E os termômetros marcaram 4 graus na serra catarinense, em pleno dezembro... É o final dos tempos!
P.S.: Uma semana depois de ter escrito esse texto, recebo a notícia bombástica sobre o fechamento da Modern Sound, legendária loja de discos do Rio de Janeiro. E os termômetros marcaram 4 graus na serra catarinense, em pleno dezembro... É o final dos tempos!

