terça-feira, 8 de agosto de 2017
EUROPA: PARTE II
Amanhã encerro a primeira etapa da minha "euro trip", a bordo do motorhome Trevis e na companhia dos amigos músicos Leonardo Vidgi e Beto Aguia. A impressão é que já estou por aqui há uns 6 meses, tamanha a quantidade de informações, paisagens e vivências nesses primeiros 10 dias, e dos 1.200 km rodados em 3 países, passando por Amsterdam, Köln, Düsseldorf, Bochum, Witten e fazendo duas vezes o mesmo percurso até Gent, na Bélgica. Nesse meio tempo, fizemos amigos e muita música, sem qualquer compromisso que não fosse o prazer de tocar. Em bares, na rua, nos parques, em jam sessions. E sentimos o poder transformador do som e o respeito universal pela música brasileira, que só os brasileiros não têm. A primeira conclusão é que Einstein estava coberto de razão com a sua teoria da relatividade. Uma semana em casa na frente da TV e uma semana na estrada, no outro lado do oceano, enfrentando todo tipo de desafios, são experiências que alteram completamente a percepção do tempo. E amanhã parto para uma nova etapa, rumo a Lisboa, onde ficarei por mais 10 dias. Me despeço dos meus companheiros de estrada, até o reencontro para a terceira e última etapa da viagem.
GENT DA NOITE
Gent, linda cidade da Bélgica da qual eu nunca tinha ouvido falar, é um capítulo a parte. Entrou no roteiro por acaso. Mas como eu não acredito em acaso, chegamos lá por atração e sintonia, sendo recebidos de braços abertos pelo povo de lá. A começar pelo brasileiro Saulo Soneghet, líder da banda "Vagabundos", que nos mostrou o caminho das pedras e nos recebeu com carinho e generosidade incomuns. A banda, aliás, já tem público cativo na Bélgica, por mérito do Saulo e dos jovens músicos locais que a compõem. Isso sem falar na infinidade de atrações culturais que a cidade oferece. Palcos na rua, festivais, centros culturais, museus, parques e muitas bicicletas. Tudo isso o ano inteiro. Coisa linda de se ver! Inspiração não faltou pra mostrar meus sambas pra essa "Gent da noite", apaixonada pela música brasileira. Mais uma vez, a música derrubando fronteiras e estreitando laços. Rimos muito, provamos cervejas belgas inesquecíveis. E de quebra, estacionamos o motorhome num lugar que foi batizado por nós como a "cabeça do pinto". E o apelido pegou! Só mesmo a malícia brasileira pra ver o óbvio: o formato peniano do lago dispensa maiores explicações. Não perdi a oportunidade de fazer o samba, cujo refrão resume tudo: "e na verdade eu não minto, eu estava estacionado na cabeça....".
quinta-feira, 3 de agosto de 2017
PEGUEI NO SONO NA HOLANDA E ACORDEI NA BÉLGICA
Em tempos de Temer, a frase de Tom Jobim está cada vez mais atual. Perguntado sobre qual a saída para a música brasileira, o maestro respondeu, sem pestanejar: o aeroporto! E foi justamente no aeroporto de Amsterdam que eu fui resgatado pelos parceiros Leo Vidgi e Beto Águia, músicos experientes que vivem há muitos anos no Velho Mundo. Tive apenas um minuto pra pular pra dentro do Trevis, apelido carinhoso de seu motorhome de 6 lugares, comprado na Itália. Com a canseira da viagem, já nasceu um tema para um samba: "peguei no sono na Holanda e acordei na Bélgica", na linda cidade de Gent. Povo simpático e acolhedor. Depois de algumas cervejas inesquecíveis, pude realizar um sonho antigo: tocar na rua! Algo que no Brasil tem um caráter depreciativo, na Europa é considerado uma forma de arte respeitada por todos.... Principalmente na Bélgica, onde existem até mesmo festivais de música de rua, quando o povo sai de casa já com algumas moedas para oferecer aos artistas. E a viagem está só começando. Vim sem planejamento algum, justamente para me entregar ao fluxo da vida e observar. Tocar pelo simples prazer de tocar. Comecei bem, conhecendo muita gente boa em Gent... E então.... novamente a bordo do Trevis, cochilei na Bélgica e acordei na Alemanha, em Colônia. Mas isso já é assunto pra outro post...
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