Às vésperas do segundo turno da eleição presidencial de 2018, entrei na
fase da aceitação, diante da possibilidade real de ter que rezar, em
breve, pela alma da nossa jovem democracia, caso a ditadura branca,
eleita pelo voto e representada pelo candidato da extrema direita, saia
vitoriosa. Me debati e debati por meses na bolha algorítimica do
Facebook, onde tenho cerca de 3.400 "amigos" e uns 20 ou 30 que
visualizam e comentam minhas postagens, sempre os mesmos (alô, Mark Zuckerberg!!!). Às vezes
tentando alertar sobre os perigos de uma escolha insensata, outras por mero desabafo.
Doce ilusão! Que eu saiba, fiquei falando sozinho a maior parte do tempo
e consegui convencer ninguém, chegando inclusive a fazer inimizades (eu e a torcida do Flamengo). Ao menos exerci o ofício da escrita,
o que sempre me agradou. Pois bem. Ainda estão rolando os dados. Mas,
independentemente do resultado, algo mudou em nossa configuração. A
imagem do "brasileiro cordial", conceito descrito pelo historiador
Sérgio Buarque de Holanda em seu livro "Raízes do Brasil", foi a
primeira a cair por terra. Se é verdade que a sombra precisa vir à tona
para ser transformada, estamos no bom caminho. Confesso que não é nada
fácil reconhecer a face obscura do decantado e mundialmente conhecido
país do carnaval e do futebol. A boa nova é que a fase da aceitação me
fez lembrar que a vida é onda e, como toda onda, poderosamente bela,
inevitável, cíclica, e, por vezes, destrutiva. O mar é a melhor metáfora da
impermanência. Não é à toa que alguns monges budistas adoram construir
mandalas efêmeras na areia da praia. Não sabemos ainda o tamanho da onda
que vem se formando no horizonte. Meu conselho: quem ainda não aprendeu
a surfar, eis uma ótima oportunidade. O tempo urge e ruge.quarta-feira, 24 de outubro de 2018
APRENDENDO A SURFAR
Às vésperas do segundo turno da eleição presidencial de 2018, entrei na
fase da aceitação, diante da possibilidade real de ter que rezar, em
breve, pela alma da nossa jovem democracia, caso a ditadura branca,
eleita pelo voto e representada pelo candidato da extrema direita, saia
vitoriosa. Me debati e debati por meses na bolha algorítimica do
Facebook, onde tenho cerca de 3.400 "amigos" e uns 20 ou 30 que
visualizam e comentam minhas postagens, sempre os mesmos (alô, Mark Zuckerberg!!!). Às vezes
tentando alertar sobre os perigos de uma escolha insensata, outras por mero desabafo.
Doce ilusão! Que eu saiba, fiquei falando sozinho a maior parte do tempo
e consegui convencer ninguém, chegando inclusive a fazer inimizades (eu e a torcida do Flamengo). Ao menos exerci o ofício da escrita,
o que sempre me agradou. Pois bem. Ainda estão rolando os dados. Mas,
independentemente do resultado, algo mudou em nossa configuração. A
imagem do "brasileiro cordial", conceito descrito pelo historiador
Sérgio Buarque de Holanda em seu livro "Raízes do Brasil", foi a
primeira a cair por terra. Se é verdade que a sombra precisa vir à tona
para ser transformada, estamos no bom caminho. Confesso que não é nada
fácil reconhecer a face obscura do decantado e mundialmente conhecido
país do carnaval e do futebol. A boa nova é que a fase da aceitação me
fez lembrar que a vida é onda e, como toda onda, poderosamente bela,
inevitável, cíclica, e, por vezes, destrutiva. O mar é a melhor metáfora da
impermanência. Não é à toa que alguns monges budistas adoram construir
mandalas efêmeras na areia da praia. Não sabemos ainda o tamanho da onda
que vem se formando no horizonte. Meu conselho: quem ainda não aprendeu
a surfar, eis uma ótima oportunidade. O tempo urge e ruge.quinta-feira, 18 de outubro de 2018
CANTO QUÂNTICO
| Foto: Cássia Piva |
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