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| foto: autoria desconhecida |
A quantidade de informações que circulam na internet é tanta que é humanamente impossível - e pouco recomendável - abrir todos os arquivos, imagens, apresentações e otras cositas más que nos chegam na caixa de correio ou por meio dos chamados sites de relacionamento. Mas não posso deixar de compartilhar uma imagem que me chegou por e-mail e que fala por si. Trata-se do verdadeiro lixão que se formou, após a festa de reveillon 2011, na beira do mar de Jurerê Internacional - a mais badalada praia de Floripa e onde costumam circular ferraris, top models, socialaites e gente rica ou aparentemente rica. Abro um parênteses para reproduzir uma pérola que recebi, também pela internet: "No Facebook e no Orkut todo mundo é bonito e feliz; no MSN, todo mundo é ocupado; e em Jurerê Internacional todo mundo é rico..." (autoria desconhecida). Voltando ao assunto, a imagem a que me refiro causou-me inquietação. Não há necessidade de descrevê-la, mas há curiosidades. Além das toneladas de garrafas, plásticos, copos, caixas, pratos, restos de comida e outros objetos não identificados, lá permanecem, em meio ao lixo, um casal "pegando praia". Há também um carrinho de supermercado (!) abandonado no meio da areia. Fico imaginando a situação: o sujeito convida a família, a namorada ou os amigos para festejar a virada de ano na beira da praia mais fashion de Floripa, o melhor local para festas na América do Sul segundo o New York Times. Prepara o seu farnel, com o melhor espumante e acepipes, e vai para lá, pular as sete ondas e beber até cair. E aí, na hora de ir embora, advinhe: deixa na areia, como oferenda (ou ofensa) a Iemanjá uma imensa variedade de porcarias, imaginando coisas do tipo: I am the king of the world! A praia que se foda! Eu tou pagando, por que vou limpar minha sujeira?... e por aí vai, retornando ao seu lar (ou hotel) com a consciência tranquila. Ou, como disse uma amiga, "comemorando mais um ano de noção zero de cidadania e respeito". Para coroar o acontecimento, na data de ontem (11.1.2011) um afamado colunista local, indignado com a veiculação dessa imagem na internet, atribuiu o fato "aos ciumentos que não suportam ver o Ibope espetacular de Floripa"... E disse mais: "a sujeira não foi feita pelos moradores e beach clubes, mas sim pelos milhares de turistas... e que o trabalho de recolher o lixo é dos garis, e não do cidadão que frequenta a praia". Ainda, segundo o colunista, a praia foi limpa pela Comcap imediatamente após a festa, restaurando-se a normalidade do lugar. Do subtexto dessa nota jornalística pode-se facilmente concluir: 1) pode sujar à vontade, que alguém virá limpar a sua caca; 2) onde já se viu um cara chique e bem vestido sair carregando o seu lixo no final da festa! É justamente esse tipo de raciocínio que está exterminando com os recursos naturais do Planeta. Enquanto a humanidade não incorporar conceitos básicos de educação, do tipo "sujou, limpou", a nossa querida Mãe Terra vai continuar pagando o preço da insanidade e da busca do lucro a qualquer preço, e a sujeira continuará sendo varrida para debaixo do tapete. Mesmo que o lixão da praia de Jurerê pós-reveillon não tenha sido obra dos moradores, como foi alegado, e sim dos turistas, todos nós estamos a bordo do mesmo barco, habitantes da mesma Casa, esta linda e generosa Nave Mãe que tudo aceita e perdoa, mas até certo ponto. A infalível lei de causa e efeito começa a dar sinais de que nem tudo vai bem e as catástrofes naturais se multiplicam nos quatro cantos. É a nossa Mãe advertindo: "daqui a pouco não haverá mais tapete para esconder tanta sujeira!".
